Sindicato confirma suspensão do fornecimento de energia na escola e aponta centralização dos recursos como consequência do desmonte da gestão democrática nas escolas
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado do Tocantins (Sintet), por meio da Regional de Palmas, denunciou, nesta terça-feira, 11 de agosto, mais um episódio que mostra o processo de desmonte da educação pública municipal. A ETI Caroline Campelo, localizada na região sul de Palmas, teve o fornecimento de energia elétrica suspenso, e os estudantes foram dispensados da unidade por volta das 15 horas.
A denúncia chegou ao Sintet por meio de uma mãe de aluno, que procurou o sindicato após perceber que os estudantes estavam sendo liberados da escola. Diante da denúncia, a direção do sindicato foi até a unidade e confirmou, in loco, a interrupção do fornecimento de energia elétrica.
Para o Sintet, o episódio é grave e não pode ser tratado como um problema meramente administrativo. A entidade aponta que a situação é reflexo direto da política de centralização dos recursos das escolas adotada pela gestão do prefeito Eduardo Siqueira Campos.
O Sintet relembra que a rede municipal de ensino contava com mecanismos de gestão democrática e descentralização financeira que garantiam às escolas maior autonomia para administrar recursos destinados às necessidades cotidianas das unidades.
Os recursos eram utilizados para despesas como pagamento de água e energia elétrica, compra de materiais de limpeza e aquisição de materiais pedagógicos e brinquedos para os estudantes. Na prática, a gestão escolar tinha condições de resolver demandas emergenciais sem depender de uma estrutura burocrática centralizada.
Essa realidade mudou em junho de 2025, quando a gestão do prefeito Eduardo Siqueira Campos revogou a legislação que garantia a descentralização desses recursos e concentrou a administração financeira das escolas na Secretaria Municipal de Educação (SEMED).
Desde então, segundo o Sintet, diretores e diretoras perderam autonomia para solucionar problemas básicos do cotidiano escolar.
“Hoje, o diretor da escola não tem autonomia sequer para trocar uma lâmpada. A escola fica dependente da Secretaria para resolver situações que deveriam ser solucionadas imediatamente dentro da própria unidade. O resultado dessa centralização está aparecendo e a suspensão da energia de uma escola, com alunos sendo dispensados, é um exemplo grave disso”, critica o sindicato.
Para o diretor regional do Sintet Palmas, Rogério Lucena, não se trata apenas de uma conta de energia que deixou de ser paga. “O episódio revela os efeitos de uma política que retirou das escolas a autonomia necessária para administrar seus próprios recursos”, disse ele.
O sindicato já havia se manifestado contra a decisão do prefeito de centralizar os recursos financeiros das unidades.
A entidade também manifesta preocupação com os indicadores educacionais do município. O sindicato destaca a queda de Palmas no Ideb, de primeiro para nono lugar, como um sinal de alerta que precisa ser considerado pela administração municipal.
O Sintet exige que a Prefeitura de Palmas esclareça imediatamente as circunstâncias que levaram à suspensão do fornecimento de energia elétrica na ETI Caroline Campelo e adote as providências necessárias para garantir o funcionamento adequado da unidade.





